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  • Quem se esconde atrás das máscaras?

    Quem se esconde atrás das máscaras?

    Antes de qualquer pincelada ou recorte, era preciso romper o gelo. A primeira sessão começou com uma atividade simples e poderosa: um novelo de lã foi lançado ao acaso de mão em mão, e cada criança que o recebia apresentava-se: nome, arte favorita, cor preferida. No final, o novelo percorreu o caminho inverso, e cada participante tinha de recordar o que a pessoa que lhe tinha passado o fio havia dito. Uma teia de histórias e identidades foi-se formando literalmente à vista de todos.

    Com o espaço aquecido e as inibições desarmadas, chegou o momento de criar. Sob a orientação da artista ana verónica, as crianças foram convidadas a construir as suas próprias máscaras, utilizando cartolinas e uma variedade de materiais disponíveis no ateliê. Não havia regras nem modelos a seguir, apenas liberdade de expressão e a riqueza das diferenças individuais espalhadas por cima das mesas. Cada máscara tornou-se um retrato único de quem a fez: cores, formas e texturas que contavam, sem palavras, de onde cada um vinha e quem era.

    No final da tarde, as crianças tiveram um merecido coffee break enquanto, às 17h30, a escola abria as portas a pais e docentes para uma sessão de apresentação do projeto. Foi o primeiro momento de diálogo com as famílias e com a comunidade educativa, lançando as bases de uma parceria que se quer próxima e participativa ao longo de todo o ano.

  • Vamos fazer um caderno?

    Vamos fazer um caderno?

    Na segunda sessão, o grupo voltou a encontrar-se, desta vez com um quebra-gelo pensado para alargar horizontes. No quadro foram escritos diferentes tipos de arte em português, e as crianças foram chamadas a identificar os seus favoritos. Mais do que uma atividade de apresentação, foi uma oportunidade para mostrar que o universo artístico é vasto e surpreendente, que a fotografia, a dança, a arquitetura ou os video jogos são, também eles, arte, e que cada um deles pode encontrar o seu lugar dentro desse espectro.

    Ana Verónica volta para a atividade principal da sessão, a criação de um caderno pessoal, que irá acompanhar cada criança ao longo de todo o projeto. Feito com cartolinas e cosido à mão na lombada com linha, cada caderno foi decorado no exterior com temas de união, igualdade e encontro, palavras e imagens que as próprias crianças escolheram para dar rosto ao que sentem. Na primeira página do interior, colada com cuidado, ficou uma fotografia polaroid de cada participante: um registo do presente que, daqui a anos, quando estas crianças forem adultas, terá a beleza agridoce de uma memória guardada.

    Enquanto os mais novos coziam e decoravam, os professores participavam em paralelo numa sessão de formação dedicada à metodologia CLIL, Content and Language Integrated Learning, dinamizada pela Professora Doutora Micaela Ramon da Universidade do Minho, no âmbito da parceria da Rural Move com o Centro de Línguas BabeliUM. Durante 2 horas, discutiu-se e aprendeu-se a como integrar o ensino da língua portuguesa de forma natural e contextualizada nas atividades artísticas. Um investimento na capacidade da escola para continuar este trabalho além das sessões formais do projeto.